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"Cancer is Serious Business"

 

Quando terminei de assistir o documentário "Burzynski: Cancer is Serious Business" dirigido por Eric Merola, fiquei muda e calada. Nenhuma palavra caía do meu cérebro na minha boca. Nada. Sabe aqueles silêncios que incomodam, mas que te faz compulsoriamente pensar e refletir? Então, fui pega num desses momentos, como estar em um beco sem saída.

 

Eu amo estudar a ciência, mas tento controlar a minha paixão toda vez que abro essa caixa de Pandora. A ciência é fascinante e revolucionária para a história da humanidade, sabemos disso. Mas ela não dá conta de tudo, e nem tem esse papel de "decifradora universal de todos os mistérios" que muitos insistem em posicioná-la dessa maneira. Repleta de fragilidades e incoerências, tal como a condição humana, é recheada de capítulos com muitos interesses, plágios, controvérsias, relações de poder e assassinatos (vide Hiroshima e Nagasaki, 1945). Mas é nela que nos apoiamos quando doentes. E foi ela uma das principais protagonistas em aumentar radicalmente a nossa expectativa de vida.

 

O filme mostra sistematicamente documentos e depoimentos, a saga do médico polonês Dr. Stanislaw Burzynski, radicado nos Estados Unidos. Com dois doutoramentos no currículo, um em Medicina e outro em Bioquímica, ele desenvolveu o "Antineoplaston". Uma medicação oral ou intravenosa no tratamento contra o câncer. Uma combinação de peptídios que ativa os genes a responder contra as mutações celulares geradas pela doença. A chave genética dessa descoberta foi a constatação que esses mesmos peptídios estão presentes em indivíduos saudáveis, mas ausentes nos pacientes.

 

Antineoplaston: uma combinação de peptídios que ativa os genes a responder contra as mutações celulares geradas pela doença.

 

A batalha (aparentemente apaziguada desde 2017) entre o FDA (Food and Drug Administration) e o médico começou na década de 1980. Desde 1977, Dr. Burzynski vem tratando os seus pacientes com "Antineoplaston". O tratamento desenvolvido em sua clínica particular, na cidade de Houston, teve numerosos casos de cura da doença, não só de complexidade dos tipos de câncer, por exemplo, tumores agressivos no cérebro, como também, impressionantes reportes de pacientes livres da doença por décadas. Mas como toda intervenção médica, há pacientes com mais respostas que outros. Como o próprio Dr. Burzynski diz: pacientes com "assinaturas" genéticas mais compatíveis ao tratamento, há maior probabilidade de cura, e nem todos estão nesse rol.

 

Só para adiantar: não, o tratamento oferecido na clínica do Dr. Burzynsk não é gratuito. Porém, vale lembrar que o sistema de saúde americano é simplesmente perverso, se compararmos com o último orçamento anual militar de 718,30 bilhões de dólares. E sim, fazer ciência de ponta é muito caro. Caríssimo. Até o momento, dos 119 peptídios identificados pelo Dr. Burzynski, apenas 2 são utilizados no "Antineoplaston", e o maior impedimento para avançar nas pesquisas é o alto custo.

 

Também te previno que caso busque informações sobre o "Antineoplaston" ou Dr. Burzynski na internet, o algoritmo "oracular" do Google vai oferecer o Wikipedia como uma das primeiras referências. Lá, vai se deparar com o discurso explícito ou implícito de fraude sob a égide: "não comprovado cientificamente". Mas só para lembrar, o efeito placebo é comprovado cientificamente!

 

efeito placebo é comprovado cientificamente!

 

Vale a pena questionar até que ponto mega corporações de fármacos, grandes periódicos (sabe quanto custa publicar num jornal científico de "alto impacto"?), órgãos oficiais reguladores, universidades, centros de pesquisas, agenda governamental, "conspiram" a favor da vida humana. E quanto a nós? A nossa "arma" nessa batalha é a informação.

 

Entre mortos e feridos, toda guerra gera em seus escombros um rastro de perdas e sofrimentos. No caso do apócrifo "Antineoplaston" do Dr. Burzynski, resta-nos um fio de esperança para que um dia, quem sabe, possa ser robustamente pesquisado e utilizado em larga escala, salvando milhares/milhões de vidas.

 

Aliás, quem hoje em dia não foi afetado direta ou indiretamente (familiares ou amigos) pelo câncer em suas vidas? Quem?

 

Namaste.

 

Assista o documentário: