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A importância das práticas

 

Moisés está mais atual que nunca. A sua maneira de elaborar o que deveria ser feito ou não em 10 pontos concisos e diretos está bastante presente em muitos textos em Blogs - como esse que você está lendo agora. O assunto das próximas linhas é sobre algumas sugestões para construir e fortalecer as práticas de Yoga no dia a dia. 

Sempre tento falar às alunas e alunos durante as aulas de Hatha Yoga da importância de vivenciarem aqueles momentos como um ?laboratório?, num constante exercício de aprendizado (inclui muitas tentativas), memorização e interiorização através das técnicas oferecidas, e assim, para que possam realizar por conta própria. 

Mas vamos ao que interessa, aos 10 "mandamentos", ops, sugestões! 

1) Praticarás constantemente mas sempre com serenidade 

 

O fato é que não conseguirá viver o que o Yoga pode proporcionar se não houver prática, e isso só pode ser experienciado. Essa experiência é sempre e totalmente individual. Não tem como outra pessoa praticar por você. Uma das belezas que as práticas proporcionam é a construção de uma responsabilidade profunda de si e sobre a própria vida. Sem afobamentos ou ansiedades, aliás, esse é um dos grandes desafios, é importante olharmos para as nossas práticas como crianças em estágio de aprendizado. Como um querido aluno me disse uma vez ?é necessário aprender a errar através das práticas?. 

 

2) Driblarás a preguiça ou letargia 


Um dos maiores obstáculos para colocar em prática as práticas (brincando com o trocadilho) é vencer a resistência interna que pode ser expressada pela preguiça. Ficarmos atentas e atentos às expressões que tentam justificar a ausência das práticas, como ?não tenho tempo?. O primeiro passo é identificar a origem da preguiça. Depois, como um ?negociante interno?, tentar estabelecer um acordo, por exemplo: ?gostaria de praticar todos os dias durante x minutos, mas prometo x dias de folga, sem prática alguma?. Digo negociar, pois os processos de auto-sabotagem estão a espreita de oportunidades, é natural, é humano, não há nada de errado, apenas, se firmarmos um acordo com a nossa vontade, ela crescerá exponencialmente em direção a uma sólida disciplina.

 

3) Ativarás a sua memória corporal e mental 


Muitas pessoas me perguntam: ?mas eu não sei o quê praticar em casa?. Então respondo que memorizem o que aprenderem durante as aulas. Isso consiste em aumentar o foco e a concentração durante as práticas guiadas. Trabalhar com e através do corpo é um processo maravilhoso de aprendizado muito além das palavras e conceitos. O corpo constrói uma memória, apenas cuide para não cair em um automatismo rígido com as práticas. 

4) Reservarás um tempo apropriado conforme a sua disponibilidade 


É muito, mas muito importante organizar o nosso tempo cotidianamente, e isso inclui as práticas de Yoga. Estabelecer uma nova relação com a agenda diária ajudará a incluir as práticas como um hábito: há tempo para comer, dormir, trabalhar, descansar e praticar também (se isso for realmente uma prioridade a você). Nesse sentido vale a pena a conhecer os nossos ritmos internos. Por exemplo, há pessoas mais dispostas e enérgicas durante a manhã, outras são mais noturnas. Testar o melhor período para introduzir a sua prática.

 

Caso compartilha o espaço onde vive com mais gente - família ou colegas - converse com eles. Explique que determinado x de tempo você estará ausente mesmo presente. Isso quer dizer para que não interrompam o seu momento. Sempre avise antes. Muitas vezes em minha casa eu avisava: ?estou na China?, eles já sabiam que eu estaria praticando e que não deveria ser interrompida. Funcionou maravilhosamente bem. E última sugestão, determinar x minutos (ou horas, se puder e quiser) durante os dias estabelecidos a práticas. Isso ajuda a criar o hábito que foi falado antes. Considere o tempo como um aliado e não inimigo. 

 

5) Cultivarás a sua independência 


A independência aqui significa em implantar as suas práticas no cotidiano sem a condução de terceiros. Mas para isso acontecer, obviamente você precisará de uma boa orientação por alguém preparado (professor ou professora de Yoga). Isso não invalida de você continuar as suas práticas nos locais onde são facilitadas.

 

Se você está inscrito em algum Studio de Yoga, ótimo! Continue!

 

Acredito que ponto crucial desse artigo é de sugerir como construir as práticas voltadas a si, pois nunca se sabe, quando uma mudança de cidade pode acontecer, e daí como desapegar daquele ou daquela professora que tanto nutriu durante um determinado período. Eu levo um estilo de vida muito mais aos moldes ciganos ou errantes, então, quando me mudei pela primeira vez, sofri bastante para encontrar interlocuções (espaços e pessoas) para fazer as minhas práticas de Yoga. Foi assim que fui criando elas, pois era muito cômodo, fácil e prazeroso ir ao instituto receber as práticas ?prontas? na antiga cidade. Yoga também significa, cada qual ao seu modo, vivenciar desapegos e libertação. 

 

6) Buscarás esclarecer as suas dúvidas 


Autonomia das práticas não exclui o exercício de humildade de estar aberto e aberta a aprender constantemente. Estar em contato com alguém de sua confiança para esclarecer dúvidas. Buscar, se necessário, redes de trocas e compartilhamentos de experiências das práticas. Enfim, é sempre muito válido voar sabendo que há um ?chão? onde se possa pisar.

 

7) Levarás em conta que as práticas são como um processo e não um resultado

 
O caminho do Yoga é sempre construído, e não há atalhos. Percebo que algumas pessoas quando ingressam no Yoga, seja para fazer as práticas de Hatha ou no Formação, há uma exacerbada expectativa. A carga informacional que o Yoga carrega consigo é muito grande e poderosa. Por muitas vezes a ansiedade em querer ?entender? tudo e ao mesmo tempo corrói um dos mais preciosos aprendizados do Yoga: as práticas como um processo, cheio de altos e baixos - repleto de revelações que não se mostram como um ?final?, mas sim com recomeços.

 

8) Enfrentarás os seus desafios internos e externos 


Nem tudo é um mar de rosas com as práticas. Muitos profissionais de Yoga abafam ou ignoram essa parte. Poderíamos brincar aqui chamando-a de ?the dark side of the moon? (o lado escuro da lua).

 

Para conhecer a luz, a sombra se faz necessária. 

 

Todos nós temos os nossos lados mais desafiadores que precisamos acolhê-los ao invés de fazer de conta que não existem, mas sem vitimismos - essa postura drena as nossas próprias forças.

 

Quando o Yoga é profundamente vivido, ou seja, praticado, ele será o mediador de duas coisas: a primeira como um facilitador de liberações psico-energéticas, a segunda, como um potenciador da nossa verdadeira natureza. Então, não se assuste quando estiver num asana e der uma baita vontade de chorar, apenas chore e vivencie o seu choro plenamente. Provavelmente foi um choro repreendido no passado.

 

Quando, por exemplo, você estiver em shavasana (aquela postura do relaxamento) e vier memórias de infâncias, ou pensamentos desconexos, deixe-os vir à tona. São conteúdos lá de camadas mais profundas das suas ?consciências?. Portanto, não deixe que os desafios interrompam as suas práticas, pelo contrário, elas são instrumentos de aprimoramento e autoconhecimento. 

 

9) Priorizarás a simplicidade nas práticas 


Não presumamos que as práticas ?avançadas? de Yoga poderiam ser os belos handstands ou invertidas. Para estabilizar as práticas meditativas por um longo período, as posturas sentadas são e sempre foram as mais indicadas. A coordenação respiratória mais sutil precisa também dessa ?plataforma? estável. Não estou desencorajando a treinar as diversas posturas corporais que habitam no mundo do Yoga, apenas desenvolva as suas práticas com o fio condutor da simplicidade, pois ajuda a acalmar o ego. Ele gosta de se sentir sobressaliente, é o papel dele, não brigue contra isso. O velho clichê ?o menos (simples) é mais? cabe perfeitamente no Yoga. 

 

10) Avaliarás seu próprio desempenho e comprometimento


Seja o seu próprio avaliador. Mas para isso acontecer, aprendemos algo interessante com as práticas: o (auto) distanciamento. Olhares mais lúcidos sobre nós mesmos que ajudam a nos equilibrar no vendaval das emoções, além de nos enxergar com mais clareza e menos drama. Isso consequentemente vai reverberar ao nosso redor, permitindo cada vez mais a ter reações baseadas na sabedoria, e não nos impulsos. 

Enfim, pratique com alegria.

Pratique com a sua sabedoria.

Pratique para acolher transformações necessárias.

Pratique consistentemente, ao ponto que as 24 horas sejam as próprias práticas manifestadas naturalmente. 

Namaste!