?As Perguntas do Lago? - Mahabharata
Yudishsthira ergueu-se. Graças a um imenso esforço de seu espírito, conseguiu dominar a sede e disse:
- Interroga-me.
A voz que saía do lago fez-lhe longas séries de perguntas. Eis as que parecem essenciais e as respostas que ele deu:
O que é mais rápido que o vento?
- O pensamento.
O que pode cobrir toda a Terra?
- A escuridão.
Quais são mais numerosos: os vivos ou os mortos?
- Os vivos, pois os mortos não são mais.
Dá-me um exemplo de espaço.
- Minhas duas mãos juntas.
Um exemplo de tristeza.
- A ignorância.
De veneno.
- O desejo.
Um exemplo de derrota.
- A vitória.
Qual é o animal mais astucioso?
- Aquele que o homem ainda não conseguiu encontrar.
O que apareceu primeiro: o dia ou a noite?
- O dia, mas ele precedeu a noite apenas por um dia.
Qual é a causa do mundo?
- É o amor.
Qual é o teu contrário?
- Eu mesmo.
O que é loucura?
- Um caminho esquecido.
E a revolta? Por que os homens se revoltam?
- Para encontrar a beleza, tanto na vida quanto na morte.
O que é inevitável, para cada um de nós?
Antes de responder a essa pergunta, Yudishsthira refletiu por um momento. Sem dúvida, pensava na longa cadeia de reencarnações ao fim das quais, dizia-se, vinha a entrada no nirvana. Assim, respondeu:
- A felicidade.
E qual é a grande maravilha? - perguntou a voz.
- Todos os dias, a morte desfere golpes à nossa volta e nós vivemos como seres eternos. É esta a maior das maravilhas, respondeu.
Então, a voz que falava no lago disse a Yudishsthira:
- Que todos os teus irmãos retornem à vida, pois sou DHARMA, teu pai; sou a justiça, a constância, a ordem do mundo.
Foto: Nathan Boadle