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Saber respirar é preciso!

 

Ah! Respirar! Respirar é preciso, mas saber respirar é precioso!

 

A nossa primeira inspiração e a nossa última expiração demarcam a existência da vida.

 

Silenciosa, ofegante, profunda, rápida, pelas narinas ou boca, a respiração tem ritmos próprios que refletem o nosso interior.

 

Nossos estados mentais e emocionais são externalizados por ela.

 

Saber ?ler? a respiração é conhecer um mundo próprio, sutilmente orquestrado por uma cadeia de acontecimentos psico-fisiológicos. Respirar conscientemente é como tocar o invisível.

 

Muitos anos atrás - alguns punhados de milhares - uma das jóias do Yoga condessou a possibilidade de expandir a potencialidade da condição humana via respiração.

 

Com a ampliação da atenção, lucidez e consciência aumenta-se esse delicado adestramento interno. E a partir daí, a re-ritmação respiratória marca toda a diferença de viver.

 

Os chamados ?pranayamas? (controle respiratório) é uma seção muito cara ao Yoga.

 

Há várias intervenções na respiração que quando executadas com maestria abrem-se portas para um manancial latente e potente.

 

É uma etapa especialmente importante para os processos de iluminação. Para isso, leva-se tempo, além de paciência e um bom guiamento.

 

 

Respiração, ciência e Yoga

 

N.C Paul - História do Yoga nas ciências

 

Um dos primeiros autores a colocar o diálogo científico voltado ao Yoga foi o médico indiano N. C Paul (1820-1880). Em sua obra intitulada de ?A treatise on the Yoga Philosophy? de 1851, ele descreve fantásticos ciclos respiratórios de Yogis pela ciência, salientando a eficácia das técnicas do Yoga tornando esses seres acima da média humana, em termos de resistência, auto-controle e longevidade.

 

De acordo com N. C. Paul, o gerenciamento das fases respiratórias mencionadas em textos clássicos do Yoga - puraka (inspiração), kumbhaka (retenção) e rechaka (exalação) - são as alavancas para uma nova reordenação entre o oxigênio e gás carbônico.  

 

Contemporaneamente, as ciências da saúde vêm colocando os pranayamas à luz de microscópios, questionários, exames clínicos, protocolos que possam esclarecer os efeitos das respirações yóguicas.

 

Os ?achados? são surpreendetemente simples, funcionais e sofisticados ao mesmo tempo. Numa pesquisa realizada no Japão por Vialatte et al. (2009), a específica técnica respiratória chamada de ?Bhramari? aumenta a produção de ondas gamma.

 

Os cientistas salientam que a sonoridade peculiar (algo como zumbido de abelha) desse pranayama pode mudar diretamente a frequência cerebral, trazendo sensação de serenidade e relaxamento.

 

O pranayama também aumentou a atividade da escala da onda theta (que também pode ser alcançado pela meditação). É bom lembrar que as ondas gamma e theta são frequências cerebrais de estados como: relaxamento profundo, calma, lucidez, introspecção, etc.

 

Outro estudo conduzido na Índia por Raghuraj e Telles (2003) na ?Vivekananda Yoga Research Foundation?, avaliou as consequências da respiração unilateral sobre o sistema nervoso.

 

Os resultados sugerem que a respiração do Yoga pela narina direita aumenta a atividade simpática, enquanto que a esquerda reduz. A regulação respiratória pela narina direita afeta pressão sanguínea sistólica e aumenta em 17% o consumo de oxigênio.

 

Os resultados sugerem que a respiração do Yoga pela narina direita aumenta a atividade simpática, enquanto que a esquerda reduz. A regulação respiratória pela narina direita afeta pressão sanguínea sistólica e aumenta em 17% o consumo de oxigênio. A respiração conduzida por uma das lateralidades nasais provoca diferentes atuações entre as atividades do sistema nervoso simpático e parassimpático.

 

Raghuraj e Telles (2003) descrevem que textos de Yoga já apontavam esses mesmos efeitos por uma outra linguagem. O lado direito é chamado de ?pingala? representando a parte solar, o que gera calor - atividade. Já o esquerdo, o lunar, é nomeado de ?ida?, o lado que resfria - passividade. Ambos são canais de energias - ?nadis?.

 

 

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A chave de ouro do Yoga - por meio dos pranayamas - abre e fecha esses mesmos canais (nadis).

 

Cientificamente falando, a respiração é automaticamente comandada por um centro nervoso localizado no bulbo. A regulação voluntária da respiração pelos pranayamas mexe com o sistema nervoso autônomo que se bifurca em simpático e parassimpáticos com suas funções antagônicas, assim, as técnicas do Yoga proporcionam um equilíbrio nessa dinâmica dicotômica.  

 

Enquanto lia esse artigo, você estava respirando sem se dar conta - sistema nervoso autônomo em ação.

 

Assim como o nosso coração pulsa sem o comando da nossa vontade, que possibilita a nossa permanência viva, o mecanismo respiratório nos mantém respirando.

 

Quando nós interferimos nesse processo é aí que a ?mágica? acontece.

 

É nessa intersecção entre poder controlar ou não a respiração, que estados mentais e emocionais podem ser mudados e transformados.

 

Portanto, sempre que possível, que possamos nos recolher em nossas próprias respirações, pois respirar melhor é permitir a fluidez da vida de dentro para fora e de fora para dentro: a eterna dança que celebra a vida!  

 

 

Dicas de exercícios para aumentar a consciência respiratória:

 

 

Namaste!

 

 

Referências:

PAUL, N. C. A Treatise on the Yoga Philosophy. Benares: E. J. Lazarus and co. Medical Hall Press, 1882 (1851). 

VIALATTE, F.; BAKARDJIAN, H.; PRASAD, R.; CICHOCKI, A. EEG Paroxysmal Gamma Waves During Bhramari Pranayama: A Yoga Breathing Technique. Consciousness and Cognition. 18, 2009. 

RAGHURAJ, P.; TELLES, S. Effect of Yoga-Based and Forced Uninostril Breathing on the Autonomic Nervous System. Perceptual and Motor Skills, 96, 2003.